quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O silêncio tem palavras





- Não sei quanto mais tempo teremos…sinto-me trôpega, desvanecida, esparramada, caída, outonal.
- Sabes tão bem como eu que nós já cá não deveríamos andar, minha criança eterna.
- Sei. Mas às vezes penso que merecemos estes beijos, este sol, sabes? Esta certeza de sermos, ao mesmo tempo e no mesmo espaço, ínfimos e infinitos. Esta vontade de reconstruir o mundo porque não era nada disto que pensámos vir a ser. Nós não temos nada de quem pensámos um dia vir a ser. Merecemos esta permissão de furto, este roubar de vida à morte coitada, que anda exorbitada de um lado para o outro por não ter mais com quem jogar xadrez.
- É tão adulta que dá pena, a bicha-solitária. (Risos). És a minha estação preferida.
(Silêncio)
- Tu, o meu louco de sempre, a minha alegria além-mundo.



Cláudia Alves

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Outono

É a decadência de pensamento,
nada mais tenho a acrescentar.
Há nostalgia, que vem anunciar
a perspectiva de extremo sofrimento.

É o deserto da angústia pintado
na melancolia da solidão.
E nesta imensa escuridão
nem mesmo o bem é iluminado.

E vivo nesta câmara lenta,
em tons de castanho gasto.
Força hercúlea para um simples gesto
e a consequente inércia que me tenta.

No Outono da vida
terei, talvez, menos folhas caídas.
Com sal, tento sarar as feridas:
auto castigo, por uma mágoa não sofrida.

Mais uma vez enganador,
o poeta da invenção.
(Ou será que não?).


Eduardo Rilhas

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

outono



Orgulho.


Como uma imagem vale mais do que mil palavras (dizem...), aqui fica.


Marta Jacinto

Ps: Sim, adoro nuvens.


Comunicado

Não é irónico as ausências no blog se darem na semana da educação? A verdade é que elas se deram pelas educações dos respectivos ausentes não terem possibilitado a realização dos posts, mas com as novas mudanças, de pessoal e trocas de dias, é possível que esta semana o blog retome o ritmo normal.
Para quem já reparou, o Jorge já não está na lista mas, como membro fundador, está convidado a participar e acompanhar-nos quando bem entender. Esta sexta, em princípio, teremos a participação de Diana, convidada por mim e pelo Gonçalo.

Em nome do blog peço desculpas aos leitores, pelo incumprimento, mas asseguro-vos que os próximos posts serão bem melhores, do que os anteriores.

Tiago Gameiro

sábado, 26 de setembro de 2009

Graffiti















Tiago Gameiro


Comunicado:

Por razões escolares, Jorge Ressureição não tem possibilidades de colaborar semanalmente connosco, deste modo o seu dia ficará a cargo de Gonçalo Gameiro e sexta-feira da próxima semana, teremos uma nova companheira.
Desculpem pelas duas ausências e continuação de uma boa leitura.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Amazing, isn't it?


Educação. Ui. Hoje em dia, tem tanto que se lhe diga. A sua definição ou forma como é encarada difere de país para país, de família para família, de casa para casa, de pessoa para pessoa. É, nos tempos que correm, um tema delicado q.b. Há que ter cuidado. Eles andem aí. Não sei quem, mas andem.


Para este tema, não me arriscando muito, decidi, baseado na minha própria ideia de educação, fazer uma pequena e inocente lista de coisas que me fascinam. A sério, fascinam-me mesmo. Ora aqui segue:


- Fascinam-me as pessoas que se sentam no comboio e metem os saquinhos, as pochetes e o casaquinho no(s) banco(s) vazios em redor, e quando alguém lhes pede delicadamente que os removam para que se possa sentar, fazem cara de nojo e demoram uma eternidade a mudar as coisas de sítio.


- Fascinam-me as senhoras de raça negra que se sentam ao lado umas das outras e falam entre si como se sofressem todas de uma surdez tipo mórbida, ou estivessem cada uma em sua montanha.


- Fascinam-me as pessoas que ficam especadas à porta do metro quando este abre as portas, à espera que os passageiros saiam, e não saem da frente de quem quer sair, e acham que estão a ser umas fixes porque deixam as pessoas sair antes de entrarem.


- Fascinam-me ainda mais as pessoas que vão no comboio e, quando este pára, desatam a empurrar toda a gente para chegarem à porta e saírem, e quando levam um safanão ficam chocadas e dizem "Mas o que é isto???"


- Fascinou-me muito uma senhora que veio ao quiosque da Olá, pediu um gelado de nata com topping de menta e pepitas de chocolate, e quando lho entregaram disse "CHÉ, ISSO NÃO LEVA FRUTA???".


- Fascinam-me os pais que levam as crianças no comboio, e quando estas desatam aos berros porque querem sei-lá-o-caralho-que-as-foda, passam 20 estações a dizer-lhes "não" para lá mais para o fim da viagem lhes darem o que elas pediram. Para isso, faziam logo a vontadinha e poupavam os outros ao berreiro.



Enfim, eu em dois dias (é incrível como bastaram 2 dias) assisti a coisas destas e a outras que tais, reuni a pequena lista, e deixo agora então aos colegas e a quem quer que vá lendo este blog o julgamento de como vai a educação nos nossos dias. E há quem diga que tende a piorar. Enfim. Cheers.


(P.S. Agora vendo esta reflexão no p.arteculta, vê-se que tem muito pouco de "arte" ou de "culta", mas vá, aliviemos a tensão de vez em quando.)
Pedro Antunes

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Maturidade


Aprende de uma vez que eu nunca te hei-de servir de xaile ou de qualquer pano-tecido que proíba às pedras da calçada de escrevinharem nos teus pés. Enquanto fores cego com intenção e não quiseres aprender a receber e a sorrir, talvez nem de mim precises... nem para mim olhes, porque eu, eu talvez nem seja suficiente + interessante para preencher os teus silêncios noctívagos e paranóicos.


E depois falas-mede idade! Também eu tive a idade de brincar e de ser boneca, de me arrancarem as pernas e a cabeça, à procura de uma suposta perfeição. A maturidade não tem resposta matemática. Esta antes vive na acção posterior ao momento em que nos apercebemos que também a brincadeira mata, que também ela esfola, que ela é a dona e senhora dos nossos cantos mais podres. Pedagogia insensata, a noção de didáctica da sociedade do foge ou mata.


Gosto de ser desinteressante, pelos menos ninguém me chateia.

Cláudia Alves
(Fotografia encontrada, não minha)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um pouco de (má) educação...

A educação que nos dão é esta, está aí mesmo para as pessoas verem em montras de loja de electrodoméstico, ou mesmo em placares publicitários.
A educação que nos querem transmitir é a do politicamente correcto e da merda deste país do correcto que deve passar despercebido para que ninguém note que ele existe.
A educação que nos querem transmitir são clichés como estes, como tudo, como a vida.
Eu represento o contrário da educação que te dão, filho da puta, abre os olhos deixa de ser um mero clone.
Eu represento o anti-dogma, auto-destruição de valores adquiridos, injectados pela seringa da sociedade. Viciante.
Eu represento tudo o que não está correcto aos olhos de Cascais, Belém, S. Bento e a tua casa, quando esta é de bem.


E no teu encalço surgirá
o monstro da mediapulação,
que o cérebro ao povo arrancará,
e este não poderá criar uma opinião.

Filho da puta pensa por ti,
uma mente solidificada.
Escolhe bem quem manda por ti,
na cara sorriem, nas costas mandam facada...

Versos que parecem vir da barraca,
mas, na verdade, só te espeto com um pouco
de (má) educação para que do fundo do poço
emerjas, em vez de seres ninguém, nada...











Eu sou a educação que a tua mãe nunca te deu. Eu sou a revolta contra o pré-estabelecido, anarquia de estilo. Eu sou desenhos animados em filmes de acção. Eu sou nada a ver com nada e tudo de novo, a partir de meios banais. Eu sou poesia no meio de prosa, nunca sendo prosa poética. Eu sou contra todo o tipo de educação que nos ponha palas nos olhos. Eu sou contra arrogâncias de interpretações, nunca saberão tudo, filhos da puta...

Eu sim, sou liberdade. Eu sou um pouco de (má) educação.


Eduardo Rilhas

domingo, 20 de setembro de 2009

It's Cloudy Over Germany !

(Foto tirada do avião)


Enquanto passava por ali, pensava:
que sonho seria pousar em cima das nuvens,
deitar-me, e esperar que os dias passem, e as nuvens me levem.

Quase que dá vontade de saltar e agarrar um pedacinho de nuvem.
É um dos meus sonhos, poder deitar-me em cima de uma.
Parece-me impossível de conseguir.
E isto foi o mais perto que estive de concretizar o meu sonho.


Marta Jacinto